Voltámos
ontem de madrugada, eu e o pequeno Magnífico, de passar um fim de semana prolongado em Portugal.
Nada que já não tenhamos feito muitas vezes os dois, é certo.
Não
vos vou dar dicas de como viajar de avião com bebés e crianças pequenas. Acho
que toda a gente tem mais ou menos noção do que é preciso levar e fazer. Fica
apenas um desabafo, é muito mais fácil viajar com bebés até um ano, pois
normalmente passam a viagem a dormir, do que com toddlers. Estes sim conseguem
ser tricky...
Fala-se
muito dos bebés e crianças nos voos e do barulho que fazem, mas do que quero
mesmo falar é de alguns adultos que viajam no avião. Normalmente, são pessoas
que não têm filhos ou já os tiveram há uma eternidade e já não se lembram do
quanto pode ser stressante viajar com mini pessoas. Mas, ver adultos
a reagir como crianças porque as crianças não se estão a comportar como adultos,
isso sim, para mim, é estranho.
Nestas
muitas viagens Portugal/Suíça a dois já me aconteceu um pouco de tudo. Na maior
parte das vezes, aviões com pessoas simpáticas e solícitas e, por vezes, aviões
com pessoas que nem sei bem de que buraco terão saído. Estas últimas são uma
minoria, é certo, mas ainda assim são demais. A sério, não queiram ser este
tipo de pessoa:
1)
O soprador: revirar
os olhos e bufar para o cachaço de um pai ou mãe que tenta fechar o carrinho
para o colocar no tapete do raio X ou separar os líquidos do bebé para serem
inspecionados, acreditem, não vai fazer com que as coisas sejam mais céleres. Uma
ideia, se estão com muita pressa, sempre que consigam, escolham uma fila onde
não há crianças. É o melhor para todos.
2)
O “primeiros!!” A
prioridade de entrada no avião para quem tem crianças pequenas não é exatamente
um privilégio. Por isso, “primeiros ”, não fiques chateado e a olhar para o lado
para evitar que eles passem à tua frente quando os pais querem exercer esse direito. Com essa prioridade os pais conseguem fechar o carrinho de bebé à entrada do avião
sem aí formar filas, conseguem ter mais tempo para chegar ao lugar com uma criança
a espernear num braço e a mala de cabine noutra e até conseguem arrumar a
bagagem sem que se forme uma fila gigante de gente cheia de pressa de se
sentar, meter os headphones e dormir.
3)
O voyeur: Uma das
fases mais chatas é o colocar e especialmente o tirar da bagagem de cabine dos
compartimentos por cima dos bancos. Não é fácil erguer 8Kg numa mão com uma
criança numa anca. Voyeur, não dói nada oferecer ajuda para a tirar.
Mas diria que para aí em metade das viagens as pessoas preferem simplesmente
ficar a assistir ao espetáculo. Só tem faltado aplaudirem no fim e pedirem para
o fazermos enquanto giramos uma bola no nariz...
4)
O estou no sofá da minha
sala e isto é tudo meu: Em algumas companhias aéreas quem viaja com
bebés até dois anos de idade (para quem não sabe até essa idade têm de viajar
ao colo de um adulto, presos por um cinto especial) tem de ir no assento do
meio pois, segundo me disseram, só aí tem máscara de oxigénio adapatada a
bebés. O lugar do meio é para mim o pior para viajar sozinho com uma criança ao
colo. Fica-se com um estranho de cada lado e com o espaço muito limitado para
pousar o braço onde a criança fica deitada. Num dos voos mais cansativos que
tive, calharam-me dois senhores de grande porte, um de cada lado, que
estoicamente conseguiram ignorar durante as duas horas de voo que ia uma mulher
com um bebé entre eles que não tinha onde pousar os braços porque eles os
alaparam para nunca mais os largar.
5)
Os “ai se fosse meu
filho”: Os bebés choram. Surpreendente, eu sei. Se vocês acham que ficam
incomodados com um choro que não têm de acalmar, que podem até abafar colocando
auscultadores ou levantando-se para dar uma volta pelo avião, como acham que
estão os pais de um bebé que chora, num espaço confinado, a 10000mts de
altitude e que não podem fazer mais do que o que já estão a fazer. Tudo o que
podem e sabem. Enquanto nehuma companhia aérea pegar no nicho de mercado dos
voos só para adultos, as crianças vão fazer parte do jogo. Deal with it ó
“ai se fosse meu filho”.
Moral
da história, senhores do ponto 1 a 5, se virem alguém a viajar sozinho(a) com
uma criança de colo, se não tencionam ajudar, pelo menos não atrapalhem, vá.
Agradecida.
Nota:
Como disse acima, a maior parte das pessoas são umas queridas. Já tive muita
gente desconhecida a pegar o Magno ao colo enquanto faço alguma coisa, um
senhor controlador aéreo que o levou ao colo até ao nosso lugar porque ele não
queria colaborar enquanto eu fechava o carrinho à porta do avião, uma senhora
muito simpática, nesta última viagem, que me deu um medicamento homeopático de
arnica para acalmar os efeitos de uma pequena queda do baby contra o tabuleiro da
comida, só para dizer alguns.

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