quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Um quintal chamado Chamonix

E onde é que se vai passar o fim de semana quando se volta de viagem?
Pois é. Vai-se até Chamonix-Mont Blanc matar saudades das montanhas e até Sallanches e Médonnet matar saudades dos blocos.
 


                           (a pedir a bênção dos pais da escalada em Chamonix-Mont Blanc)
 
Até agora, a zona de bloco de Médonnet é a mais toddler friendly que encontrámos num raio de uma hora de casa. O declive não é muito acentuado, os blocos estão suficientemente espalhados para deixar algum espaço livre para o Magno brincar e são só 5 minutos a pé do estacionamento.
 
Kit básico para manter o "bicho" sossegado na montanha durante algumas horas:
- Para o transportar usamos a manduca ou a cadeira de montanha dependendo de se é um percurso pequeno ou grande;
- tenda baby da quéchua;
- balde, pá e ancinho para javardar na terra e folhas;
- capacete de proteção (comprámos o da petzl para crianças e que dará, esperamos, até aos 6 anos);
- pés de gato para "escalar" (os do Magno são da La Sportiva. Ainda lhe estão muito grandes mas assim já se sente um escalador);
- Comida, claro;
- e paciência em doses generosas :)
 
 
 
Desde que começou a gatinhar e depois andar, tornou-se mais "tricky" levá-lo para o monte. Os bebés são consideravelmente mais fáceis e transportáveis. Mas o truque é adaptarmo-nos e ficarmos mais fortes. Deixar de ir é que está fora de questão :)

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Voltar é quase tão bom como partir

E chegámos a casa. Quase um mês de muitas histórias, aventuras, deslumbramento mas também cansaço, episódios caricatos e uma constipação de recuerdo para mim.
 
Alguém disse um dia que a razão de partirmos é podermos regressar. E que voltar ao sítio onde estávamos não é o mesmo que nunca termos ido embora. Não podia concordar mais. Não sei o que o Magnífico irá reter das muitas viagens que já fez. Não sei se recordará o monge budista que andou com ele ao colo, as centenas de pessoas estranhas que o acarinharam, as brincadeiras com os "meninos do arroz", como ele chamava aos meninos na Ásia, as estátuas de Buda que ele adorava ver, os tuck-tuck onde delirava andar, os pãezinhos que lhe ofereciam na Bósnia, a tempestade de neve no Kosovo ou a noite de Natal na Albânia. Mas acredito que tanto mundo, inelutavelmente, o tornará um ser humano melhor.
 
Nos próximos tempos irei contando como foi. Me aguardem :)
 

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Post chato mas eventualmente útil a quem tem de viajar com mini pessoas

Ultimamente têm-me feito muitas vezes uma série de perguntas.
Então e como é que é viajar com uma criança pequena?
Mas consegues ver e fazer alguma coisa durante as viagens?
E não tens medo que ele adoeça num país longe de casa?
Mas tu és doida? Levar o miúdo para esses países perigosos/sujos/com costumes estranhos, etc...

                             (Magnífico waving and smiling no combóio de Kandi para Colombo)

Antes de mais deixem-me esclarecer que quer eu quer o pai  já viajávamos muito antes do bebé magnífico nascer. Ou seja, temos muita experiência em viagens independentes e low budget e já muito mundo passou pelas nossas mãos. Provavelmente, para alguém com menos experiência ou com uma vivência de viagem mais direcionada para aquilo a que chamo turismo, se calhar, isto pode parecer insano ou complicado. Mas não é tanto assim.
 
Ora bem, viajar com uma criança pequena é mais ou menos o mesmo que viver com elas. Caótico :)
Mas claro que mudam algumas coisas quando se anda com elas pelo mundo. E para começar este assunto, nada como falar da "tralha" que costumamos levar para o Magno em viagem.
 
Roupa:
Muito pouca. Nas viagens de Inverno levamos sempre o casaco de penas, o impermeável, um ou dois fatos completos polares, gorros e calçado resistente à prova de água. O resto é o normal e se faltar alguma coisa compra-se.
No Verão é mais fácil. E, para além da roupa normal do dia a dia, nesta última viagem levámos fraldas para a água (não se encontram facilmente fora da Europa e EUA), o impermeável para as chuvadas de Verão, chapéu de sol com protetor para o pescoço, três pares de calçado (umas sandálias, uns sapatos fechados e unas sandálias de água), uma camisola de manga comprida, um casaco para o avião e pouco mais.
 
Fraldas:
Levamos normalmente fraldas apenas para os primeiros dois dias e depois compramos. Existem em todo o lado. A única diferença que tenho constatado é que na Ásia, porque as crianças são normalmente mais pequenas, as fraldas têm de ser um tamanho acima do habitual.
As toalhitas também existem em todo o lado.
 
Comida:
A comida era a minha maior preocupação nesta última viagem. O Magno a partir do ano de idade deixou de ser um grande comilão e passou a ser muito mais seletivo e frugal.
Ao invés do que sucedeu nas viagens pela Europa, em que a comida a que está habituado está disponível um pouco por todo o lado, na Ásia a comida é de facto muito diferente.
Para me precaver levei uma série de potes de fruta, as suas bolachas bio favoritas, iogurtes que não necessitam de refrigeração, papa e o leite em pó que bebe normalmente.
Tal como suspeitava a comida foi efetivamente um problema. No Sri Lanka foi particularmente difícil pois o picante é omnipresente. A sério. Tudo leva piri-piri, caril ou as duas.
A sopa, tal como a entendemos, não existe no Oriente. E ele está habituado a comer sopa a todas as refeições. O que eles chamam de sopa não o é realmente. É uma mistura de natas com cogumelos, milho ou abóbora e muito sal. Muito mau portanto...
Só ao fim de uma semana e meia começou a comer quase normalmente. Valeram-nos o fried rice e os noodles com legumes, a fruta e os iogurtes que encontrámos sempre facilmente. Os iogurtes são aliás altamente recomendados em viagem para adaptar a flora intestinal ao novo meio em que se está.
Por fim, levámos ainda um termo pequeno para colocar água quente e assim conseguirmos dar-lhe uma papa quente quando não houvesse comida adequada para ele.
 
Medicamentos e produtos de higiene:
Apesar de ser uma das crianças mais saudáveis que conheço, preventivamente, levámos um termómetro, brufen, benuron e fenistil. Estes medicamentos existem em todo o mundo mas o facto de os termos connosco e podermos aliviar rapidamente qualquer desconforto, até termos ajuda médica, é muito tranquilizante. Sublinho ainda que viajamos com um seguro de saúde válido em todo o mundo e que inclui o repatriamento.
Levámos ainda vitamina D (onde vivemos tomam até aos 3 anos) e um frasco de vitaminas em xarope. Como foi confiscado no aeroporto em Londres porque ia na bagagem de mão, shame on me, comprámos outro no Boots em Bangkok.
Quanto a produtos de higiene levámos o creme de corpo para a pele atópica, um shampoo e gel de banho dois em um, o protetor solar, um gel para lhe ir desinfetando as mãos (comprei na primark) e duas embalagens de água termal para o ir borrifando quando estava mais calor.
Finalmente, levámos uma rede mosquiteira e o repelente para crianças da Chicco. A rede foi muito usada no Sri Lanka onde há muitos mosquitos. Muitos hotéis não tinham ou a que tinham sobre a cama não estava em condições e deixava passar tudo.

Meios de transporte:
Levámos o carrinho de passeio, um quinny zapp xtra2. É um carrinho confortável, que deita completamente para as sestas, resistente e que dobra de modo a ficar muito pequeno. Infelizmente não me pagaram para dizer isto :/
E, finalmente, a piéce de resistance de todas as nossas viagens com o baby, a Manduca. A Manduca é só o melhor transportador do mundo para bebés e crianças até aos 4 anos. Foi a nossa melhor compra de sempre e não, também não me pagaram para dizer isto, damn :/
Temos também um transportador de bebés para montanha mas só o usamos nos trek/caminhadas.
 
Kit de emergência:
Não é o que estão a pensar. É ainda mais importante :)
Para além de um saquinho pequeno com dois ou três carrinhos, dois livros de capa mole e um caderno com lápis de cor para desenhar (bastam uns quantos brinquedos porque é melhor de vez em quando comprar algum brinquedo típico nos sítios onde vamos passando) levamos ainda algumas coisas que ele não conheça para usar parcimoniosamente como "bomba atómica" em situações mais complicadas. Viagens de comboio ou autocarro longas, birras em momentos críticos, etc... faz toda a diferença, acreditem.

Eu avisei que ia ser um post chato mas para quem tem de viajar com miúdos vai dar jeito. E não se encontra este tipo de lista facilmente. Eu sei porque me fartei de procurar sem sucesso...



 

sábado, 5 de setembro de 2015

Viajar em 3.ª classe no Sri Lanka é muito bom... só que não

É quase uma da manhã na Taprobana e finalmente consigo arranjar tempo para contar um pouco desta alucinante primeira semana de viagem.

Depois de uma breve passagem por Bangkok apanhámos um voo para Colombo, capital do Sri Lanka. Ficámos em Colombo apenas um dia. A cidade tem poucos pontos de interesse e o hotel pior que mau que nos calhou em sorte (só a casa de banho dava um post) foram um bom estímulo para seguir para Kandy, a capital cultural do país e onde se encontra o templo budista mais venerado. O templo do dente sagrado.
Kandy fica a pouco mais de 100Km de comboio de Colombo que se traduzem, na prática, em 4 horas de viagem. Percebe-se agora porque é que as distâncias no Sri Lanka são sempre medidas em tempo e não em Km...
Viajar de comboio por aqui é só por si uma verdadeira aventura. Não tendo no entanto o nível de complexidade que vivemos na Índia, exige ainda assim uma grande dose de paciência e skills de Shaolin :)
Existem 3 classes principais que se subdividem em mais umas quantas. De um modo geral a 1.ª classe tem ar condicionado e lugares marcados, a 2.ª classe tem ventoinhas e é tudo ao molho e, finalmente, a 3.ª é qualquer coisa de indescritível tal o nível de compactação e encaixe das pessoas que lá viajam. É uma espécie de vagão de transporte de gado com uns bancos de pau forrados com napa sem espuma. Ainda o comboio não parou na estação e já toda a gente corre para entrar pelas janelas e assim ocupar os lugares dos que estão ainda a sair e poder assim viajar sentado e com acesso à corrente de ar.
Na viagem de ida, conseguimos bilhetes de 1.ª classe e tivemos o bebé magnífico deliciado a dormir todo o caminho com o embalo do comboio. No entanto, de volta a Colombo, para depois rumar a Sul, não tivemos a mesma sorte. Os bilhetes estavam esgotados e tivemos de comprar bilhetes de 2.ª classe.
Descobrimos mais tarde que nos indicaram mal as carruagens e viajámos na realidade em 3.ª classe. Sim, a que descrevi acima com as expressões pau, gado e forrado a napa.

Podia descrever como foi viajar com uma criança ao colo, 40.º graus e metade da população do Sri Lanka na carruagem, mas é melhor não. Prefiro destacar que o  Magno se portou como um verdadeiro viajante e, entre sorrisos e acenos aos companheiros de lata e assinalar todos as estátuas de Buda que surgiam ao longo da linha (adora Budas e quando vê os reclinados, diz com ar sério que é um Buda chacado/cansado) lá chegámos a Colombo atrasados mas a tempo de ver partir na linha ao lado o nosso comboio para Galle.
Mas nestas coisas o que é preciso é não desesperar e, um taxi depois, quatro horas mais tarde e um molho de rupias a menos lá chegámos ao destino.

A aventura continua :)